sábado, 2 de outubro de 2010

I am Elizabeth Bennet... with Zombies!

PrideandPrejudiceandZombiesCover.jpg

Comprei um livro fantástico na livraria do aeroporto semana passada. Uma criativa adaptação do clássico romance de Jane Austen.

O título já é ótimo - Orgulho e Preconceito e Zumbis (Pride and Prejudice and Zombies).

Eu li o original de Austen aos 20 e poucos anos e adorei. Foi o primeiro de uma série de encontros com Austen, em via escrita e também no cinema. Claro que me apaixonei pelo Sr Darcy já naquela ocasião.


O 1o parágrafo da nova versão começa com a seguinte afirmação: 

"É uma verdade universalmente aceita que um zumbi, uma vez de posse de um cérebro, necessita de mais cérebros."  Dá pra perceber que o autor, Seth Grahame-Smith, é um cara, no mínimo, perspicaz.


O autor diz que usou 85% do original para compor o romance, mas me parece que foi um pouco menos, pois não só os zumbis entraram de forma muito natural e pertinente na história, mas também alguns diálogos foram totalmente reescritos, de forma a reforçar uma determinada percepção sobre os personagens, que no original é bem mais sutil.

Enfim, devorei as mais de 300 páginas em 3 sessões de leitura muito agradável.

Outra coisa legal é ter a internet pra prolongar o gostinho final, com mais informações interessantes pra quem é fã de Austen (e do co-autor Seth) como eu.

Jogando o nome do livro no Google, descobri que já tem até um filme sendo feito, com a Natalie Portman sendo a provável escolhida para o papel da heroína Elizabeth Bennet, na versão treinada nas artes orientais e decapitando todo e qualquer zumbi à vista.

Num link de um site sobre a obra de Jane, descobri um testezinho do tipo Capricho, pra descobrir qual heroína de Austen você seria. Bom, eu confesso que não precisava nem fazer o teste, claro que sou Elizabeth (embora já tenha tido umas fases mais Elinor Dashwood no passado). E confesso que me identifiquei ainda mais com a versão revisada e ampliada com zumbis de Lizzy.

Segue o link pra quem quiser tentar: http://www.strangegirl.com/emma/quiz.php

domingo, 1 de agosto de 2010

Doce Terapia

Quando a gente passa a semana num ritmo agitado, quer mais é ficar em casa no final de semana.

E o tempo em Curitiba tem ajudado. Preguiça total de sair no frio, ir em restaurantes lotados e shoppings idem. Aproveito pra curtir um pouco a casa e o carinho dos meus meninos (pai e filho).

E nestes momentos caseiros, tenho me proposto exercitar um lado que andava meio abafado. Estou curtindo ler revistas sobre casa, decoração. Tudo no espírito da mudança para a nova casa, que se aproxima nos próximos meses.

Uma revista que estou gostando muito é a bimestral Casa e Comida, da editora Globo. Infelizmente não é vendida fora de SP, então tive de fazer a assinatura, para não arriscar um desencontro nas bancas.

A revista tem fotos maravilhosas e reportagens muito bem escritas sobre estilo de viver e receber. E idéias inspiradoras para quiser se aventurar (esporadicamente ou não) na cozinha. Idéias que vem ao encontro de quem quer ficar em casa num domingo à tarde.

Numa destas leituras topei com uma foto maravilhosa, que ilustra este post. Era um editorial sobre a confeitaria, não tinha a receita. Deu um desejo de comer a tal Lemon Bar...  Achei o preço um disparate até pra realidade de SP, mas fiquei com a tentação na cabeça. No site não constava a receita, mas tinha um comentário de uma leitora para um link de um blog português. Lá estava! Dei uma olhada nos ingredientes, tudo em casa, beleza!!!

Só um detalhe - cozinha nunca foi o meu forte. Acho o máximo quem faz bem (como o meu marido) e tenho tentado diminuir minha incapacidade ultimamente.

Pra encurtar a história: foram 2 receitas feitas.

A primeira, um desastre. Coloquei numa forma grande demais a massa. O recheio, batido em tempo insuficiente, não se acomodou como o previsto e escorreu para a parte da forma sem massa. Tive de retirar tudo e socar numa forma menor, rezando para que o resultado final desse alguma coisa comestível (deu, mas nada perto do que está na foto... parecia uma farofa de bolacha mole, misturada com suco de limão). Me achei a pessoa mais incapaz do mundo, uma receita tão simples! Pensei comigo mesma: gente como eu merece mesmo pagar 60 pilas por um pedacinho de bolo....

Lembrei do Jamie Oliver. Ele diz que todo mundo pode cozinhar muito bem. A diferença é o quanto a pessoa se sente derrotada pelos primeiros erros e não segue adiante (totalmente o meu caso).

A segunda receita, já considerando uma reflexão sobre os problemas da primeira, foi executada quase perfeitamente. Só faltou a forma certa. Não tinha o tamanho certo retangular, então resolvi usar uma daquelas onduladas (claro que grudou todo o creme do recheio). Mas tudo bem, quando esfriou foi só cortar os cantinhos, colocar açúcar e lá estava! Igualzinha a da revista, com um custo 20 vezes menor.

Valeu por umas 3 sessões de terapia. Pela auto estima reforçada, por enxergar e valorizar outras dimensões da vida, por relativizar coisas chatas. No final a gente se cobra muito, quer que tudo saia perfeito na primeira vez, mas é a capacidade de refazer a receita que faz a gente chegar algum dia a um resultado que valha a pena saborear.

Pra quem ficou curioso, seguem: o link da receita e o da loja que vende o doce em SP.

Receita: http://amoresabores.blogs.sapo.pt/43991.html

Loja: Dondoca doces especiais

Tel. (11) 8108-6326
http://www.dondocadoces.blogspot.com/
A Lemon bar custa R$ 60 (25 x 25 cm)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O Amor é Azul

Aconteceu há umas duas semanas atrás, mas não posso deixar de registrar.

Meu filho descobriu o amor. Fez sua primeira declaração espontânea, disse "eu te amo" com todas as letras.

Não foi para a mãe dele, ou para nenhuma das corujíssimas avós. Para as três ele viria a dizer estas palavras em outros momentos seguintes, mas não foi nesta primeira vez.

O testemunho foi da babá. O pequeno toquinho de gente com ar solene, abraçou o velho fusca azul, na garagem do prédio da avó e disse:

"Fusca Azul, eu te amo".

Como existem outros dois fuscas na mesma garagem, a babá indagou:

"E o vermelho?"

Negativa forte com a cabeça.

"O bege?". Outra negativa.

Fico imaginando os motivos deste amor. Seria empatia com o mais velho e acabado dos 3 fuscas? Por ele morar sozinho no cantinho da garagem? Por ele fazer tanto barulho (que ele imita sempre, com a maior bagunça)? Por ele sair tão pouco pra passear?

Achei engraçadinho, sim. Mas também me comovi com o coraçãozinho de ouro do meu bebê...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Antes do Amanhecer


Um dos meus filmes prediletos de toda a vida - Before Sunrise (Antes do Amanhecer), de 1995.

Com o Ethan Hawke (bem novinho) e a francesa Julie Delpy. O mais próximo de um filme francês que Hollywood já conseguiu chegar (filme com muitos diálogos interessantes e situações nem sempre explícitas entre os dois protagonistas). Dois jovens se conhecem em um trem e fazem um passeio juntos em Viena, uma única noite juntos. Ele tem que pegar o vôo para os EUA no dia seguinte e não tem grana para o hotel, então eles passam a noite toda conversando e passeando pela cidade. Noite que provavelmente seria a única se não tivessem resolvido fazer uma continuação em 2004, onde os dois se encontram em Paris, etc etc... A continuação não é tão legal quanto o primeiro filme.

Eu tinha feito uma viagem para a Europa 3 anos antes deste filme existir, achei o máximo e me identifiquei um monte. Como é bom poder ter este tipo de olhar sobre o mundo... a novidade, poder falar sobre as impressões diferentes que se têm sobre as coisas. Eu olho a Céline (personagem da Delpy) e me acho a cara dela (até fisicamente, principalmente naquela época). O vestidinho meio largo, quase de grávida, eu tinha um destes (acho que comprei em Milão), que usei também em Vienna!. O cabelão, meio armado, numa época que ninguém falava em antifrizz e escova, também estava lá em 1992. 

Eles dão o primeiro beijo na enorme roda gigante do Prater, muito anterior ao modernoso London Eye - eu estive lá (e também naquele parquinho kitsch que aparece no filme). E as conversas continuam, em lugares históricos, turísticos, bares, máquinas de fliperama. A atração entre os personagens cresce quanto mais um conhece sobre o outro.

Essa coisa de saltar de um trem só pra conhecer uma parada nova no caminho... Com a companhia certa pode valer a pena o desvio. Naqueles dias, não haviam reservas em hotéis, a surpresa era sempre garantida em cada estação.

Talvez por estar vivendo um momento em que tomo algumas decisões importantes, onde as raízes vão se fixar ainda mais em torno de um ideal familiar, não posso evitar a nostalgia daqueles tempos tão cheios de leveza e descompromisso. Sim, é bom conquistar coisas e não ser mais tão ansiosa sobre o futuro, mas também é tão bom ver o mundo enorme e as pessoas tão diferentes, seja na pastelaria do mercado municipal ou num café em Florença (outra cidade maravilhosa) sem levar tudo tão a sério...

Um pedacinho da conversa à beira do Danúbio...

Jesse: Would you be in Paris by now, if you hadn't gotten off the train with me?
Celine: No not yet. What would you be doing?
Jesse: I'd probably be hanging around the airport, reading old magazines, crying in my coffee cause you didn't come with me.
Celine: Aww... Actually, I think I'd probably have gotten off the train in Salzburg with someone else.
Jesse: Oh, yeah? Oh, I see. So, I'm just that dumb American momentarily decorating your blank canvas.
Celine: I'm having a great time.
Jesse: Really?
Celine: Yeah.
Jesse: Me too

Daqui a alguns meses, vamos mudar para uma nova casa, que recebemos as chaves hoje do antigo proprietário. Espero que Céline se mude conosco para lá e que ela possa manter sua essência nesta nova fase.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ivete | Vídeo de boas-vindas a bordo TAM - MAI 2010

Lindo, emocionante, tudo de bom o vídeo que a TAM fez com a Ivete pra homenagear o dia das mães.

Aliás, são maravilhosas as últimas campanhas publicitárias que esta empresa tem exibido logo antes da decolagem. A maioria com estrangeiros, falando em línguas diversas sobre sentimentos que são universais.

Este último está muito especial, não consegui evitar a emoção e a identificação total.

"(Filho), não precisa nada em troca (...) só aceite o meu amor, só deixe eu lhe amar dessa forma intensa que eu lhe amo"

Disse tudo, dona Ivete.

http://www.youtube.com/watch?v=fMsEHsK6TY8

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sobre Montanhas e Mães

Li num livro um comentário sobre montanhas que me trouxe algumas reflexões...


Para os chineses, a montanha é a representação do feminino, da maternidade. Segundo esta crença, cidades ou construções ao pé de uma montanha tendem a passar uma sensação de acolhimento.

Eu já senti isto, ao acampar ao pé de uma linda montanha no Peru, o Taulliraju (5830 m). Além de ser visualmente linda, foi puro aconchego a sensação de sentar em uma pedra e ficar contemplando este monumento da natureza, até que algumas nuvens cobrissem o seu pico nevado. Senti-me pequenina, mas também abraçada pela grandeza da montanha. E aquela noite foi um soninho gostoso, profundo e sereno.

Ainda sobre montanhas, foi neste mesmo trekking que ouvi do guia uma pérola de sabedoria que por vezes me recordo em momentos mais emocionais da vida. Disse ele "a montanha apenas potencializa o que você já traz consigo", pois ao caminhar 2, 3 ou até 5 dias em atmosfera rarefeita, nos encontramos muitas vezes com emoções fortes que não conseguimos dominar, até que possamos olhar muito profundamente para dentro da gente e entender de onde vem isto. As vezes, vivemos coisas que trazem este mesmo sentimento. Tudo está lá, dentro de cada um e a "montanha" pode ser um desafio, uma mudança, uma novidade que vai gerar um desconforto e o despertar de uma essência que pode estar apenas adormecida.

E que o feminino ou maternal seja identificado com a montanha pode fazer realmente sentido, até numa ótica mais ocidental. Pois acho que era Jung quem atribuía ao arquétipo materno, sabedoria e elevação espiritual além da razão, o cuidado, a transformação mágica, o renascimento... e também o lado obscuro, apavorante e fatal que convive na Grande Mãe como é chamada em tantas culturas.

Resolvi escrever este post só pra lembrar de algumas montanhas que já me marcaram. Algumas conheci pessoalmente (como o Taulliraju e Huayna Picchu), outras estão na lista de um passeio futuro.

Taulliraju (Cordilheira Branca, Peru)


Huayna Picchu (a montanha que fica atrás de Macchu Picchu, Peru)


Mont Sainte Victoire, na Provence Francesa, que Cezanne pintou quase uma centena de vezes, em várias horas diferentes do dia.



Annapurna (Tibete), eu já pintei um quadrinho com esta montanha, deve ser um dos trekkings mais fascinantes do mundo!



quinta-feira, 8 de abril de 2010

Projeto Felicidade Possível

Meu interesse começou quando ainda adolescente. Acho que era minha mãe quem usava cartões de presente com reproduções de pintores impressionistas. Sempre "roubava" um ou outro que atraía mais o olhar (e a imaginação).



Um destes cartões era a reprodução de um Monet, no Jardim de Giverny. Quantas vezes me imaginei como a garotinha da pintura, no meio daquelas flores maravilhosas. Até pensei em dar uma passada no local, que está preservado até hoje, quando estivemos em Paris. Mas o objetivo daquela viagem era outro. Porém ainda vou matar a vontade de conhecer de perto o jardim de Monet.

Depois fui gostando cada vez mais de outros impressionistas. Van Gogh, o meu preferido, com suas cores arrebatadoras. Quase caí de joelhos no Metropolitan diante do Starry Night e, no museu d´Orsay, entrei em verdadeiro êxtase.

Ultimamente, são os catálogos da L´Occitane, com imagens maravilhosas da Provence, que coleciono e guardo, na intenção de fazer pequenos quadros no futuro. Em visita recente à região da Toscana, na Itália, também comprei um calendário com lindas fotos. Tudo em busca do colorido, da nostalgia e da poesia de cenários de sonho.



Ando lendo muita coisa com este espírito. Além da autobiografia da Julia Child que já comentei por aqui (ela também passou pela Provence), já baixei no Kindle as amostras de "Sob o Sol da Toscana" (o livro que deu origem a um dos meus filmes prediletos) e "Um ano na Provence" (o pioneiro dos best sellers em lugares idílicos, de Peter Mayle).

Mas já comecei a leitura de um outro livro, que tinha baixado junto com o "My Life in France". Chama-se "The Happiness Project", a autora é Gretchen Rubin, advogada e escritora em Nova York. É auto ajuda, mas das boas. Confesso que tenho um pé meio atrás com este gênero, receita pronta para a vida não parece ser a melhor solução, cada um sabe onde aperta o seu calo. Mas já na leitura da amostra, me identifiquei muito com a autora, que tem uma personalidade inquieta, perfeccionista e ansiosa. Uma pessoa que se reconhece feliz e que sente que deveria se sentir mais grata e plena com a sua própria vida, porém incapaz de fazer esta transição apenas racionalizando os motivos.

Ela foi buscar em diversas fontes, dos gregos clássicos ao Dalai Lama, passando por romances e filósofos mais modernos, a fonte da felicidade. De uma forma pé no chão e usando ferramentas de negócios, como um cronograma anual, com listas mensais de objetivos, ela identificou os fatores que impactariam a sua percepção individual de felicidade.


Sobre os motivos desta busca, ela escreveu "Queria mudar minha vida, mas sem fazer mudança alguma em minha vida, encontrar mais felicidade no meu próprio quintal. Eu sabia que não descobriria a felicidade num lugar remoto ou em circunstâncias incomuns. Sabia que estava logo ali, agora - como naquela história de duas crianças que passam um ano percorrendo o mundo atrás do pássaro azul da felicidade, até encontrá-lo esperando-os quando finalmente retornam para casa".

Ela diz tudo, a felicidade é algo interno, a tão sonhada paz interior. O legal de envelhecer é cada vez mais perceber e valorizar isto, dentro da vida normal da gente. Não precisa ir muito longe.

(Por mais que às vezes me pegue sonhando acordada em largar tudo e ir morar numa pequena villa na Toscana, passando o dia a passear no meio dos campos floridos e ler bons livros, voltar a pintar, comer naqueles pequenos restaurantes maravilhosos... Bom, além das dicas da Gretchen, alugar uma villa lá pra passar um mês de férias também não deve ser nada mall!)

A lista da Gretchen Rubin para seu projeto de um ano em busca da felicidade...

Janeiro - aumentar a energia (vitalidade)
Fevereiro - lembrar-se do amor (casamento)
Março - superar-se (trabalho)
Abril - buscar leveza (maternidade)
Maio - brincar a sério (lazer)
Junho - tempo para amigos (amizade)
Julho - comprar alguma felicidade (dinheiro)
Agosto - contemplar o céu (eternidade)
Setembro - dedicar-se a uma paixão (livros)
Outubro - prestar atenção (auto consciência)
Novembro - manter o coração satisfeito (atitude)
Dezembro - objetivo atingido (felicidade)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Julia & Me


Perdi o vôo. Foi o custo de 15 minutos a mais de abraços e beijos com o meu filhote. Duas horas e meia de espera no aeroporto, alguns emails para botar em dia... Me parece um preço justo, pago com prazer.

Aproveito parte do tempo para continuar a leitura de um livro delicioso que baixei no Kindle.

My Life in France conta a vida da culinarista Julia Child e os eventos que a levaram a tornar-se uma das maiores apresentadoras de TV nos EUA deste tipo de programa. Parece bobinho, mas estou adorando e, curiosamente, me identificando muito com a Julia.

Sempre tive uma atração enorme pela França e sua cultura, a forma como se preservam e defendem algumas instituições como os queijos, a arquitetura, os pequenos comércios, as artes, os pães e a culinária em geral. E confesso que é difícil imaginar que uma americana como Julia seria capaz de mergulhar tão profundamente na cultura de outro país e influenciar toda uma geração de donas de casa para buscar sabores mais naturais e autênticos, dando-se a oportunidade de ter prazer ao preparar e degustar comida de verdade em sua própria casa.

O livro conta como ela despertou uma vocação adormecida. Julia não cozinhava nada até os 37 anos. Como um estudante de artes ou um aspirante a escritor, que ao tomar contato com obras primas começa a despertar sua vontade de expressar sua própria arte, ela começou a frequentar com o marido (ele próprio um gourmet), transferido por motivo de trabalho para Paris, diversos restaurantes e aprender a apreciar cada vez mais esta culinária tão encantadora. Sozinha e sem ocupação em seus primeiros meses em Paris, ela começou a experimentar por conta própria, lendo diversos livros. Porém, logo sentiu vontade de uma orientação mais profissional - e tornou-se aluna da célebre escola Cordon Bleu. Percebeu a oportunidade de passar adiante estes conhecimentos e dar a chance de outros poderem trazer mais encantamento, mais alma e mais sabor para a vida de outras famílias.

Mesmo imersa totalmente na cultura francesa, ela manteve a essência yankee, claro. Trouxe uma abordagem mais pragmática para a forma de ensinar as receitas, fazendo diversas experiências e buscando o passo a passo compreensível para cada receita, desde a mais simples até a mais complicada.

A busca da nossa própria voz é uma das mais válidas da vida, além de toda a questão de se trazer mais alma para dentro de um lar. Trata-se de uma tendência importante, que já vem sendo mapeada por diversos institutos de pesquisa, as pessoas estão se voltando para alguns valores mais tradicionais em busca de suas raízes culturais e um senso mais forte de identificação pessoal.

Voltando a Julia Child. Recentemente, esteve em cartaz o filme "Julie e Julia", que conta a história de uma blogueira que testou durante um ano todas as receitas do livro escrito por Julia (Mastering the Art of French Food, resultado de quase 4 anos de trabalho).Estou louca pra ver este filme, ainda não deu tempo, dizem que a atuação da Meryl Streep como Julia Child está fantástica. Ela não chegou a ver o filme, pois morreu um ano antes, mas ouvi dizer que não gostava do blog, provavelmente porque a autora muitas vezes ironiza ou deprecia alguns detalhamentos das receitas (coisa que Julia levava muito a sério). O livro Julie e Julia também não parece ser grande coisa, como a maioria dos blogs que viram livros perde um pouco o "frescor" da linguagem mais rápida da internet em uma versão condensada. Mas como roteiro para o cinema parece ser interessante, ainda vou dar um jeito de conferir e comentar por aqui.

Bom, o livro My Life in France é maravilhoso, recomendo. Foi escrito pelo sobrinho de Julia com base nas conversas que tiveram um ano antes da morte dela. Provavelmente, ela tenha sentido vontade de deixar sua própria versão dos fatos ao ler o blog. A cada capítulo, sinto uma invejinha desta mulher que viveu na França do pós guerra, em meio ao romantismo de pequenos cafés e restaurantes, passeios no mercado de Les Halles, caminhadas ao anoitecer pela colina de Montmartre ou no cais em Marseille. O livro é para ser saboreado, pois há descrições detalhadas dos pratos e pesquisas feitos pela culinarista. Lembra um pouco aquele maravilhoso filme Festa de Babette, onde também há a exaltação da culinária francesa.

Não sei se algum dia aprenderei a cozinhar, tenho dificuldade até com as coisas mais básicas! Acho maravilhoso quem sabe, considero a culinária como uma arte.  Mas a primeira influência de Julia em minha vida foi voltar a consumir manteiga, saboreando cada fatia com gosto!

"Temos que buscar o melhor sabor em cada experiência" e "sem exageros, tudo é possível", estes são os grande ensinamentos da culinária francesa que certamente se aplicam em uma escala mais ampla na vida.

Pra quem se interessou mais, tem uma boa reportagem sobre o filme+blog no blog  Food Renegade (um blog pra quem gosta de comida de verdade)
http://www.foodrenegade.com/julie-and-julia-a-lovable-movie/#more-1231

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Eu e meu Kindle

Adoro ler. Bom, geralmente quem gosta de escrever tem esta característica.

E tenho para mim que uma parte dos meus atrasos em atualizar o blog veio da diminuição das leituras no último ano. Mas agora acho que retomei o ritmo. Tudo por causa de um brinquedinho novo, bem divertido, que me dei de presente de aniversário - um leitor de livros eletrônico, o famoso Kindle da Amazon.com.

Namorei o bichinho por algumas semanas até decidir. Quando finalmente tomei coragem e apertei o botãozinho de compra, quase desisti ao ver o preço em dobro, calculado com os impostos de importação (pois esqueci que afinal tratava-se de um eletrônico...). Graças a Deus, uma boa alma - colega de trabalho que mora nos EUA, prontificou-se a me trazer o mimo.

Na mesma semana em que o Kindle chegou em minhas mãos, saiu uma reportagem na Veja sobre o IPad, que vai ser a promessa da Apple para brigar neste novo mercado. Sem o acervo da Amazon (ainda) e com uma tela brilhante igual ao IPhone (e por isso mesmo, bem mais cansativa para a leitura). Enfim, não duvido que os caras vão se tornar a referência rapidinho, mas confesso que sinto um certo orgulho de possuir o aparelho que fez a primeira revolução editorial em muitos e muitos anos depois de Gutemberg inventar a imprensa.

No começo é um pouco estranho. Pra quem ama livros, parece fazer falta o cheiro do papel, a textura. Mas é só começar que já vira cachaça, o aparelhinho tem vários recursos legais que facilitam a leitura. Pouca coisa em português (por enquanto só o Paulo Coelho completo e alguns autores menos conhecidos). O que não é de todo ruim, desculpa perfeita pra praticar o meu inglês, que andava meio basicão.

Os livros são baixados online na hora (o aparelho tem wireless embutido) e ainda tem um recurso bem legal de baixar amostras grátis (de um ou dois capítulos).  Delícia, poder ler na hora, na sala de casa ou onde se quiser, o pedacinho de um livro que você tinha a maior curiosidade...

Coisa de quem ama bibliotecas. Pode me chamar de nerd, sou mesmo, sempre fui. Fugia das aulas de educação física pra me refugiar numa delas, no colégio. Ficava horas, só lendo trechinhos de livros. Tenho até hoje o exemplar (que nunca devolvi) da carta de Pero Vaz de Caminha (porque o pedacinho que estava no livro de História parecia insuficiente para a minha curiosidade).

Alguns trechos inesquecíveis de filmes com bibliotecas: a primeira vez que o frade franciscano vivido por Sean Connery conhece a coleção proibida dos beneditinos, em o Nome da Rosa (o livro é ainda melhor que o filme). Outro: a noite que o detetive interpretado por Morgan Freeman passa pesquisando na biblioteca de Nova York (maravilhosa) em Seven...

(E também penso que meu filhote irá achar jurássico este aparelhinho que apareceu no mesmo ano em que nasceu!... Ele, que ama seus livrinhos coloridos, certamente irá ter um hábito de ler muito diferente do que tive até pouco tempo, mas espero que ame tanto quanto sua mamãe o prazer da leitura.)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Homenagem a uma mamãe orgulhosa

Em primeiro lugar, sorry pela demora em atualizar. Parte foi porque a conexão ficou meio esquisita, mas parte foi total preguiça de acessar internet em casa. É tanto email no trabalho, que às vezes me sinto obrigada a decretar momentos "internet-free" para voltar a conectar com o mundo "real".



Voltando ao que interessa...

Outro dia recebi um email de uma colega de trabalho, mãe de dois rapazes, comentando a notícia de que um filho havia sido selecionado como representante brasileiro no Pan Americano. Coisa pra realmente encher uma mãe de orgulho. Ainda mais num país como o Brasil, onde este tipo de conquista depende totalmente de sorte, pai-trocínio ou ambos. Nem sempre somente a competência é suficiente.

A colega em questão é nova na empresa, o que significa que nos conhecemos ainda pouco. Porém, confesso que a admirei pelo gesto de passar o dito email e fiquei com vontade de conhecê-la melhor (como pessoa-sem-crachá) após esta iniciativa. É preciso coragem, no ambiente profissional empresarial, que ainda é, de modo geral, de ética mais formal e masculina, para se mostrar já de saída tão confortável no papel pessoal de mãe (e de não se lixar com a opinião de quem acha isso piegas). Porque isso não deveria ser um fator reducionista, embora em muitas empresas e na literatura de negócios ainda se coloque o "pedágio" pago por mulheres em função da presumida maior prioridade à vida pessoal.  Traduzindo - muitas mulheres ainda ganhariam menos do que seus pares masculinos porque estes estariam mais dispostos a uma "dedicação total" pela causa da empresa do que elas. A notícia boa é ver que isto é um modelo com tendência de esgotamento pelo mundo afora. No Brasil e América Latina temos fatores culturais que devem fazer com que demore mais um pouco, entretanto.

Da minha parte, só posso dizer que sinto orgulho comparável a uma convocação olímpica ao ver meu filhote de 1,4 ano apenas com um vasto vocabulário de dezenas de palavras, contando de 1 a 16! Repertório que cresce diariamente, cada dia um novo recorde, isto é - uma nova palavrinha ou forma de se fazer entender...

"Ajuda!" disse hoje, ao não conseguir levantar um objeto sozinho.
"Caminhonete" - apontou ao passar ao lado da dita cuja na rua.
"Tadela" - pediu, apontando para as fatias vermelhas de... mortadela, claro!

E entende tudo o que se fala... Pergunte-se a ele "Quem é o sapeca?".
Irá responder silenciosamente, porém com o mais maroto dos sorrisinhos, apontando para si mesmo!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

2010, o ano em que faremos contato



O título deste email é a homenagem ao filme homônimo, quando 2010 parecia um futuro muito distante em que teríamos certeza que não estamos sozinhos neste universo.

Em 2010 do mundo real, chegou a hora das resoluções de ano novo!

Desde a gravidez, sou fã da revista Crescer. Com belas fotos e colunistas interessantes, tem sempre alguma inspiração legal pra gente se conectar melhor com a mamãe que nos habita.

E o site é bacana também. O artigo sobre as resoluções de ano novo tem muito a ver com o que eu penso pra 2010, parece que foi escrito para mim!

A íntegra está no endereço a seguir, pra quem quiser conferir. Eu assino 100% embaixo!


Seguem alguns trechos do ano em que farei contato com as coisas mais importantes da vida.

2 - Vou administrar melhor meu tempo para ver meu filho crescer (...) dar incontáveis gargalhadas. Vou perder menos tempo resolvendo as coisas burocráticas da vida e gastar mais minutos de pernas para o ar ao lado da minha família.

3 - Vou olhar a vida com mais leveza para que os problemas tenham o peso que merecem, e assim deixá-la menos complicada e mais divertida. Isso me dará mais tempo para pensar num piquenique no fim de semana ou uma corrida à praia com as crianças, e, assim, aproveitar melhor todo dia de sol que houver.

4 - Vou organizar meus horários para conseguir fazer uma atividade física e viajar mais. Quero curtir minha família e meus amigos por mais tempo.

6 - Quero reservar um tempo para fazer um curso de artesanato, algo que eu possa usar as mãos para criar.

8 - Vou cuidar do relacionamento com meu marido. Para isso, vou me organizar para ter uma noite a sós com ele, voltar a deixar aqueles bilhetes que trocava na época do namoro ou comprar uma lingerie nova para fazer uma surpresa.

9 - Pelo menos três vezes na semana, ao chegar do trabalho, vou andar com meu filho e meu cachorro. Ouvir o som dos passarinhos e observar todas aquelas coisas que só as crianças conseguem nos mostrar.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Depois de um longo e tenebroso inverno...


Eu voltei!!!
Aqui tem chá no bule! Finalmente!!!
Sinceramente, quando comecei a escrever este blog, achei que seria apenas para consumo próprio. Mas me surpreendi com a receptividade de alguns leitores fiéis, a maioria gente que me conhece fora do mundo virtual. Obrigada por terem mandado scraps no Orkut e alguns emails perguntando sobre o silêncio!
Agora o que mais me surpreendeu foi saber que tem gente que nunca me viu na vida e que se interessou pelo que escrevi!
O motivo do silêncio? Bom, o que importa é que agora resolvi voltar, é uma resolução firme pra 2010.
Em vez de gastar o espaço explicando motivos, segue o link para uma das minhas músicas prediletas. Recuperei os meus CDs de fado nos últimos dias. Ouçam e vejam como é lindo. Como a vida da gente, que às vezes a gente esquece em meio a coisinhas muito, muito pequenas.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Por que não invejamos Brad e Angelina


Sim, eles são fofos, lindos e parecem com os seus maravilhosos pais.

Sim, eles são chiques (dá um look na boininha do pequeno Max, combinando com papai Brad!).

Sim, eles estão entre as crianças mais "poderosas" do mundo (e a top 1 é a filhinha do Tom Cruise, Suri, que está no Rio esta semana). E provavelmente terão que fazer muitas horas de análise algum dia por causa disto... ou ganhar ainda mais $$$ escrevendo um livro-roteiro sobre isto, como fez a Carrie Fisher!

Sim, eles têm nomes ainda mais esquisitos que os outros filhos do casal (e nós achávamos que somente a Baby Consuelo e o Pepeu tinham este tipo de "criatividade").

Massss....

Posso apostar que qualquer mamãe leitora deste blog pode garantir que o seu pimpolho(a) é muuuito mais fofo que estes dois fofuchos no colo do casal mais badalado do mundo.

Eu garanto que o meu é! E acho que, ainda por cima, ele teria uma performance ainda melhor com os paparazzi (pois o danadinho adora tirar fotos e olha direto pra câmera sempre que vê uma...). Sem esse olhar de susto do Max, tadinho!

Ah, tenho certeza que vocês vão dizer que estou forçando a amizade, mas estou pressentindo que o meu filhote vai ser um Brad do futuro... Afinal, ele é tão branquinho, lindo, loirinho, bochechudinho, de olhos azuizinhos quanto o mini Brad acima... 

Eeeeeh, coração (e imaginação) de mãe coruja não tem limites!!! 



quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A Chata de Galochas


Ontem foi meu aniversário.

Gosto de datas comemorativas, porque ajudam a gente a relativizar o que já passou e ponderar um pouco o tempo que nos resta para buscar alguns sonhos.

Outro dia estava pensando que, quando era adolescente e pensava sobre como seria com a idade que tenho hoje, a imagem era bem diferente. Talvez mais "senhoral", com mais filhos e beeem mais careta. A gente se olha no espelho e acha que não mudou nada, mas é claro que a vida deixa suas marcas. De qualquer jeito, penso que acabei melhor do que imaginava!

Por outro lado, morro de medo de virar uma velha chata antes da hora. Se é que esta hora existe mesmo. Gostaria de continuar acreditando que temos poderes para evitar aqueles que considero os piores inimigos de  uma vida bem vivida - o tédio profundo, a arrogância e a chatice.

O tédio é coisa daqueles conformados, que vão ficando "no quentinho" até que perdem a vontade de olhar o mundo lá fora e não entendem mais o que aconteceu, por que tudo ficou tão sem graça de repente.

A arrogância é um exercício diário de superioridade sobre o mundo. Deve começar com um tremendo complexo de inferioridade, que faz com que seja mais fácil desqualificar o outro do que se dar a chance de olhar o mundo de outra forma. No fim, acaba virando uma muralha impenetrável, com o indivíduo lá dentro praguejando contra o egoísmo dos outros (sem enxergar o próprio).

Por fim, a tal chatice. Chatos são pessoas detestáveis, que acham que nada está suficientemente bom e que sua paz está sempre sendo perturbada por barulhos externos. Coisa de "velho de espírito", pois seria injusto vincular este comportamento à idade. 

Voltando ao meu medo. Ontem mesmo, me vi sendo uma baita chata de galochas. Essa expressão é ótima, a imagem do chato com as botas que vão evitar que os pés se molhem... que mal faz uma chuvinha, afinal?).  E as galochas não seriam tão estilosas quanto as que ilustram este post... rsrsrsrs

O aniversário foi ótimo, do jeito que eu queria. Meu marido e minha mãe fizeram várias coisinhas legais, daquelas que não tem preço. Tipo cesta de café logo cedo, companhia para o almoço, com direito a pratos muito gostosos e especialmente preparados (até fondue de verão teve!) e flores maravilhosas. Depois de uma tarde onde me auto presenteei com uma massagem e algumas comprinhas, deixei o bebê com minha mãe e fui com o marido para um show ótimo de humor numa casa noturna.

Bom, e a chatice? 

Depois de tudo tão legal, um pequeno contratempo - o bebê, cuidado pela avó, saiu da sua rotina de sono e mamadas (que eu tento manter a ferro e fogo diariamente) e também foi acordado por um  pai saudoso e meio estabanado. Resultado - uma noite praticamente sem sono para ele (e para mim, claro). Fiquei louca da vida e soltei os cachorros, praguejando contra meu marido e minha mãe e cheguei a pensar em nunca mais sair à noite (talvez quando o bebê completar 18 anos, quem sabe???)

Chata, chata, chata!!!

Quer dádiva maior do que uma família amorosa, que acolhe seu filho com tanto carinho? Vai ficar irritada e se fechar para o mundo por uma coisa tão besta? E justo com as pessoas que fizeram seu aniversário ser tão legal o dia inteiro... 

Nanananinanããããão!!!!

Ainda bem que a licença maternidade tem data pra acabar. Porque estou achando que curtir o bebê em casa é o máximo, mas que muito tempo num assunto só acaba nos deixando limitadas (e, por isso mesmo, chatas em potencial). Tenho amigas que não trabalham e são mulheres fantásticas, mas porque também mantiveram as antenas ligadas no mundo lá fora. 

Por isso, continuo minha busca pela babá perfeita para ajudar garantir a sanidade necessária neste retorno. Ainda não consegui visualizar como será a vida nesta nova fase, confesso que ainda estou com um pouquinho de ansiedade. 

Coisas da chata que mora dentro de mim - e espero logo mostrar a ela como está enganada!

sábado, 17 de janeiro de 2009

Benjamin Button, minha torcida para o Oscar


Fui assistir hoje "O Curioso Caso de Benjamin Button", com minha mãe. Filmão digno de muitos Oscars, já tem minha torcida para o de melhor filme, com certeza!!!


Deveria também ganhar os prêmios por melhor roteiro (adaptação de um conto curto de F. Scott Fitzgerald - fiquei sabendo que o autor da façanha é o mesmo de Forrest Gump - tem a mesma leveza e maestria ao combinar a passagem do tempo e a profundidade da mensagem), melhor maquiagem (impressionante ver Brad Pitt e Cate Blanchett ao longo de mais ou menos 80 anos de vida) e também direção, montagem. O Brad merece uma chance também, se bem que a competição este ano está grande entre os atores. E a Cate Blanchett... sempre impecável! Sempre elegantérrima. O trabalho de corpo dela pra viver esta bailarina é admirável, uma leveza incomparável!...

A gente sai da sala de cinema pensativo e também com aquela melancolia leve, que só a comoção despertada pelas grandes obras de arte nos traz.

A história parece simples - a fantasia sobre um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo - mas a mensagem que está embutida é profunda e tocante. Aliás, são várias mensagens. O olhar sempre fresco do personagem sobre os acontecimentos, mesmo com aparência envelhecida, nos convida a buscar a leveza perante as situações que a vida nos traz. Outra passagem que me emocionou muito foi ver Benjamin em viagens a lugares distantes, numa juventude tardia, escrevendo à filha que sempre é possível recomeçar. "Se você não é a pessoa que imaginava ser, não se preocupe. Apenas recomece". Posso dizer, por experiência própria e observação de outras pessoas, que é a mais pura verdade.

Por fim, a lindíssima história de amor que é o fio condutor da história. Uma menina de 5 anos que conhece um velhinho, na verdade apenas 5 anos mais velho. Tornam-se grandes amigos e se encontram em diversas situações durante a vida, embora o encontro definitivo aconteça apenas na metade da vida de ambos, quando os dois têm cerca de 40 anos. No final dele, a morte mais doce que alguém poderia desejar (não vou contar, é um momento sublime para quem for assistir o filme).

Um trabalho muito bem feito. Parabéns ao diretor David Fincher, também vou torcer por ele.






sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Feliz Aniversário, meu amor

Querido,

Seu aniversário é neste final de semana e, por isso, estava outro dia pensando sobre o seu presente. 

Você é uma pessoa até fácil de presentear, pelo menos para mim. Sei direitinho o tipo de presente que vai ser útil, ou ainda será uma daquelas coisinhas fúteis, mas que você adora. Várias idéias vieram à minha mente. 

Queria algo muito especial, como o presente que você me deu no Natal, para comemorar a chegada do nosso filho. Por outro lado, fiquei pensando que, neste momento em que vivemos, talvez o melhor presente seja a celebração de nossa vida juntos.

Outro dia, você mandou um email para alguns amigos, falando que havia feito uma reflexão e que, por considerar que já tinha tudo o que mais queria, não gostaria de receber presentes. Talvez nem todos tenham entendido da forma que você queria dizer, mas eu entendi direitinho.

Acho que "alguma coisa acontece dentro do nosso coração"... algo difícil de marcar concretamente, mas que sabemos sentir com intensidade. 

Como traduzir???

Bem, poderia começar dizendo que, todos os dias, quando vejo você com nosso filhinho nos braços, dizendo a ele como é feliz por ele existir, sinto uma alegria imensa, que me emociona muito. E sei que você faz questão de falar isso a ele todos os dias, o que me deixa ainda mais orgulhosa do homem que escolhi para ser o pai desta criança.

Também quando estamos juntos, nos momentos de preguiça perfeita em nosso sofá, ou num abraço que subitamente ocorre na cozinha, enquanto preparamos o jantar, agradeço a Deus por traduzir perfeitamente o companheiro que eu desejei para o resto da minha vida.

O amor, que já era imenso, expandiu-se!

Enfim, quero comemorar sim seu aniversário - mas não será como nos outros anos. 

De agora em diante, vamos aproveitar a passagem dos anos para comemorar a Vida que estamos construindo juntos - e cuidar para que ela siga por este caminho, docemente.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Comilança de Fim de Ano


Chá com Bolachinhas existe já há mais ou menos 1 ano e 3 meses. Para um blog que tem nome ligado a comida, até que falo pouco sobre o tema neste espaço.

Porém, nada como uma noite mal dormida para trazer o assunto à baila. Nas últimas semanas, muitos festerês em família, com amigos, trabalho... todo mundo quer celebrar o final do ano. E isso que, como estou com o bebê pequeno, tenho tido que recusar alguns convites por dificuldades logísticas. 

É sempre legal festejar, com amigos ainda mais. Mas o acúmulo de convites faz do prazer também um stress. E para uma mamãe fresca, que ainda luta contra a dissonância cognitiva da recusa de suas calças em caberem nas novas formas, é até uma forma de tortura.

É besteira, eu sei. Está nos livros, na orientação da obstetra e na experiência das amigas que já passaram por isto - o corpo tem seus 6 meses, no mínimo, pra voltar ao que era antes, com a ajuda de alguma malhação e autocontrole. 

Então, vou buscar inspiração para resolver minha ansiedade (e curtir devidamente este momento de festas) nas sábias palavras de dona Hebe Camargo, de quem sou fã assumida. Ela disse: "o problema não é o que comemos entre o Natal e o Ano Novo, e sim o que acontece entre o Ano Novo e o Natal"...

Que venha 2009! Até lá, vamos continuar atolando na jaca, em boa companhia!!!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Álbum de Recordações


Um dos bônus da licença-maternidade é fazer coisas que há muito eram adiadas. 

E consegui fazer somente agora, que já se passaram dois meses. Pois é preciso um mínimo de organização para ter o tempo necessário - o que é bem difícil neste início. Mas agora já começo a retomar algum controle sobre a minha agenda - com ajuda externa para toda a "logística" do bebê, é claro.

Voltando ao assunto - há uns 2 anos, ganhei um álbum de fotos da minha mãe. Adoro fotos, adoro ainda mais fotos em álbum. Porém, com essa mania de fotos digitais, acho que estamos perdendo o hábito dos álbuns . Tanto pela proliferação do número de fotos tiradas por evento (pois não tomamos mais o mesmo cuidado do que antes, quando usávamos filmes), como também pela preguiça de separar, gravar um CD ou pendrive e levar os arquivos para imprimir em algum laboratório. O que, convenhamos, não é mais trabalhoso do que levar os filmes. Mas como não há mais o elemento surpresa de ver as fotos prontas somente após a revelação, a motivação é menor.

O estopim para resolver fazer um álbum veio de uma pergunta do meu marido - que ele provavelmente não imaginou que teria qualquer consequência prática. Como quase todos os dias tenho me divertido fotografando o bebê, ele perguntou se já tinha feito o backup das fotos, tipo assim, vai que elas se perdem, etc, etc, etc...

Bom, como a maioria das pessoas, não faço backup com a frequência que seria necessária. Por outro lado, sou meio analógica no que se refere a cópias de segurança. Imprimo tudo o que é importante - desde comprovantes de pagamentos feitos online, até emails com informações interessantes, vouchers para uso futuro, etc. 

Ou seja, resolvi então imprimir as fotos e fazer o tal álbum há tanto tempo adiado. Um resumo épico dos últimos 3 anos em 100 fotos!!!

Foi um ótimo exercício - recomendo a quem tenha tempo disponível e paciência para tanto. 

Uma delícia reviver cada momento e difícil escolher as fotos mais representativas, dentre as centenas (ou seriam milhares?) disponíveis.  Impossível não se emocionar em várias situações.

No final, a sensação de que a vida seguiu exatamente o curso que eu queria nestes 3 anos. E que hoje estou exatamente onde queria estar. E que os meus motivos de orgulho na vida mudaram radicalmente, para melhor.

É hora de começar a sonhar com as fotos que quero ver no próximo álbum.



sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Mamar, filosofar, sorrir



 Estou demorando mais do que o costume para atualizar os posts do blog, eu sei.  

 Efeito da nova rotina, que a cada 3 horas recomeça, na seqüência mamada – fralda – tranqüilizar (esta aumentando mais ultimamente) e dormir (esta diminuiu durante o dia e vai muito bem à noite – Graças a Deus!).

 Às vezes, crio posts inteiros na minha mente, durante a etapa das mamadas. É praticamente uma hora inteira de interação total com esta nova pessoa na minha vida. Seis vezes por dia, ao menos. O que significa um tempo bem razoável para filosofar e pensar na vida. Daí a passar para o computador... é outra coisa. Conseguir 15 minutos inteiros, em frente ao monitor, às vezes é um pequeno luxo quase impossível (e que tem de ser bem aproveitado antes que o ciclo reinicie ou seja interrompido por um choro fora da sequência!).

 Também aproveito a amamentação para ler um livro bem interessante, que me foi recomendado pelo pai de uma grande amiga durante a gravidez. É um tratado de psicologia sobre o primeiro ano de vida. Muito bom e relativamente acessível à gente leiga, como eu. Está me ajudando ainda mais a entender como se estabelece a personalidade do pequeno.

 Num dos últimos capítulos que li, a seguinte frase  

... o aparecimento da reação de sorriso dá início às relações sociais do homem. É protótipo e premissa de todas as relações sociais subseqüentes.

 Achei o máximo. O sorriso é a ferramenta social por excelência! E é através dele que nos introduzimos às relações com outras pessoas neste mundo, cativando-as mesmo sem saber.

Meu bebê deu seus primeiros sorrisos há mais ou menos 3 semanas, logo após o final do primeiro mês. Naturalmente a babação está imensa... a sensação é como na canção do Gil “há de surgir uma estrela no céu cada vez que você sorri”.

E as pessoas aprendem a usar o sorriso para estabelecer (mesmo que falsamente) uma relação com os outros. Nessas reflexões durante as mamadas lembrei de duas situações nostálgicas a este respeito, típicas de quem passou a infância-adolescência entre os anos 70-80.

Uma veio de uma entrevista da Cyndi Lauper, que foi minha ídola teen. Ela usava um termo para descrever o sorriso amarelo que as celebridades dão – o tal Hollywood Smile. Uso este termo até hoje para descrever aquele sorriso que é quase uma careta de tão falso.

A outra veio de ainda mais tempo atrás. A frase indefectível de todos os cadernos de confidências (*)... vai em letras cor-de-rosa lantejouladas, então!

Sorria, mesmo que seja um sorriso triste! Pois é melhor um sorriso triste do que a tristeza de não saber sorrir.... (aaaahhhh!!!!)

O gosto da frase é altamente duvidoso - mas o conteúdo é revelador. Aprendemos desde nossa chegada ao mundo o valor de um sorriso para nossa sobrevivência.

(*) caderno de confidências – esta vale um post por si só... Resumindo, era um caderno cheio de perguntas, que a pessoa respondia uma por página. Sempre tinha uma questão do tipo “Diga uma frase ou frase predileta”...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O Horror


Ultimamente, ao encontrarmos alguém conhecido, temos começado a conversa comentando a última notícia trágica, geralmente envolvendo crianças ou adolescentes.

Foram semanas consecutivas com diversas notícias, desde o malfadado caso Eloá até os recentes acontecimentos - coincidentemente todos no eixo PR-SC, envolvendo assassinatos e abusos sexuais de menores de idade.
Parece impensável tentar entender o que se passa na cabeça destes maníacos. Por outro lado, é inevitável o estado de choque que se encontra a sociedade. Foi-se o tempo em que brincávamos despreocupadamente, por horas a fio, nas ruas do bairro. Ou ainda, passeávamos pelo centro e tomávamos o ônibus, praticamente com a mesma idade da menina que foi encontrada dentro de uma mala. Não faz tanto tempo assim, apenas pouco mais de um par de décadas!

Penso, porém, que mesmo em choque, ainda não parece ser suficiente a dose para nos retirar desta letargia, que faz com que nada realmente significativo seja feito para mudar a situação. Recentemente tivemos aqui em Curitiba eleições bastante aborrecidas, sem que houvesse um real debate sobre os problemas da sociedade. Não acredito que nenhum dos candidatos tivesse reais preocupações com o que estamos vivendo. Tivéssemos por aqui um Giuliani (descontando os oportunismos do 11 de setembro), talvez pudéssemos sonhar com uma revolução semelhante à de Nova York, com a política da "Tolerância Zero".

Estamos todos cansados. Meu pai sempre diz que a única saída é a união da sociedade, pois de outra forma vamos ficar à mercê do crime - este sim, cada vez mais organizado. O problema é que ficamos cada vez mais ilhados, fechados no apartamento, no condomínio, no carro blindado. Mal e mal nos cumprimentamos no elevador - que dirá conversar para resolver problemas, que podem ser coletivos afinal.

Tenho medo. Saudades do tempo em que lia Dalton Trevisan e me divertia com as peripécias do Vampiro de Curitiba, cujas perversões poderíamos chamar de inocentes, perto do que temos visto em nossa cidade nos últimos tempos.