sábado, 17 de janeiro de 2009

Benjamin Button, minha torcida para o Oscar


Fui assistir hoje "O Curioso Caso de Benjamin Button", com minha mãe. Filmão digno de muitos Oscars, já tem minha torcida para o de melhor filme, com certeza!!!


Deveria também ganhar os prêmios por melhor roteiro (adaptação de um conto curto de F. Scott Fitzgerald - fiquei sabendo que o autor da façanha é o mesmo de Forrest Gump - tem a mesma leveza e maestria ao combinar a passagem do tempo e a profundidade da mensagem), melhor maquiagem (impressionante ver Brad Pitt e Cate Blanchett ao longo de mais ou menos 80 anos de vida) e também direção, montagem. O Brad merece uma chance também, se bem que a competição este ano está grande entre os atores. E a Cate Blanchett... sempre impecável! Sempre elegantérrima. O trabalho de corpo dela pra viver esta bailarina é admirável, uma leveza incomparável!...

A gente sai da sala de cinema pensativo e também com aquela melancolia leve, que só a comoção despertada pelas grandes obras de arte nos traz.

A história parece simples - a fantasia sobre um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo - mas a mensagem que está embutida é profunda e tocante. Aliás, são várias mensagens. O olhar sempre fresco do personagem sobre os acontecimentos, mesmo com aparência envelhecida, nos convida a buscar a leveza perante as situações que a vida nos traz. Outra passagem que me emocionou muito foi ver Benjamin em viagens a lugares distantes, numa juventude tardia, escrevendo à filha que sempre é possível recomeçar. "Se você não é a pessoa que imaginava ser, não se preocupe. Apenas recomece". Posso dizer, por experiência própria e observação de outras pessoas, que é a mais pura verdade.

Por fim, a lindíssima história de amor que é o fio condutor da história. Uma menina de 5 anos que conhece um velhinho, na verdade apenas 5 anos mais velho. Tornam-se grandes amigos e se encontram em diversas situações durante a vida, embora o encontro definitivo aconteça apenas na metade da vida de ambos, quando os dois têm cerca de 40 anos. No final dele, a morte mais doce que alguém poderia desejar (não vou contar, é um momento sublime para quem for assistir o filme).

Um trabalho muito bem feito. Parabéns ao diretor David Fincher, também vou torcer por ele.






sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Feliz Aniversário, meu amor

Querido,

Seu aniversário é neste final de semana e, por isso, estava outro dia pensando sobre o seu presente. 

Você é uma pessoa até fácil de presentear, pelo menos para mim. Sei direitinho o tipo de presente que vai ser útil, ou ainda será uma daquelas coisinhas fúteis, mas que você adora. Várias idéias vieram à minha mente. 

Queria algo muito especial, como o presente que você me deu no Natal, para comemorar a chegada do nosso filho. Por outro lado, fiquei pensando que, neste momento em que vivemos, talvez o melhor presente seja a celebração de nossa vida juntos.

Outro dia, você mandou um email para alguns amigos, falando que havia feito uma reflexão e que, por considerar que já tinha tudo o que mais queria, não gostaria de receber presentes. Talvez nem todos tenham entendido da forma que você queria dizer, mas eu entendi direitinho.

Acho que "alguma coisa acontece dentro do nosso coração"... algo difícil de marcar concretamente, mas que sabemos sentir com intensidade. 

Como traduzir???

Bem, poderia começar dizendo que, todos os dias, quando vejo você com nosso filhinho nos braços, dizendo a ele como é feliz por ele existir, sinto uma alegria imensa, que me emociona muito. E sei que você faz questão de falar isso a ele todos os dias, o que me deixa ainda mais orgulhosa do homem que escolhi para ser o pai desta criança.

Também quando estamos juntos, nos momentos de preguiça perfeita em nosso sofá, ou num abraço que subitamente ocorre na cozinha, enquanto preparamos o jantar, agradeço a Deus por traduzir perfeitamente o companheiro que eu desejei para o resto da minha vida.

O amor, que já era imenso, expandiu-se!

Enfim, quero comemorar sim seu aniversário - mas não será como nos outros anos. 

De agora em diante, vamos aproveitar a passagem dos anos para comemorar a Vida que estamos construindo juntos - e cuidar para que ela siga por este caminho, docemente.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Comilança de Fim de Ano


Chá com Bolachinhas existe já há mais ou menos 1 ano e 3 meses. Para um blog que tem nome ligado a comida, até que falo pouco sobre o tema neste espaço.

Porém, nada como uma noite mal dormida para trazer o assunto à baila. Nas últimas semanas, muitos festerês em família, com amigos, trabalho... todo mundo quer celebrar o final do ano. E isso que, como estou com o bebê pequeno, tenho tido que recusar alguns convites por dificuldades logísticas. 

É sempre legal festejar, com amigos ainda mais. Mas o acúmulo de convites faz do prazer também um stress. E para uma mamãe fresca, que ainda luta contra a dissonância cognitiva da recusa de suas calças em caberem nas novas formas, é até uma forma de tortura.

É besteira, eu sei. Está nos livros, na orientação da obstetra e na experiência das amigas que já passaram por isto - o corpo tem seus 6 meses, no mínimo, pra voltar ao que era antes, com a ajuda de alguma malhação e autocontrole. 

Então, vou buscar inspiração para resolver minha ansiedade (e curtir devidamente este momento de festas) nas sábias palavras de dona Hebe Camargo, de quem sou fã assumida. Ela disse: "o problema não é o que comemos entre o Natal e o Ano Novo, e sim o que acontece entre o Ano Novo e o Natal"...

Que venha 2009! Até lá, vamos continuar atolando na jaca, em boa companhia!!!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Álbum de Recordações


Um dos bônus da licença-maternidade é fazer coisas que há muito eram adiadas. 

E consegui fazer somente agora, que já se passaram dois meses. Pois é preciso um mínimo de organização para ter o tempo necessário - o que é bem difícil neste início. Mas agora já começo a retomar algum controle sobre a minha agenda - com ajuda externa para toda a "logística" do bebê, é claro.

Voltando ao assunto - há uns 2 anos, ganhei um álbum de fotos da minha mãe. Adoro fotos, adoro ainda mais fotos em álbum. Porém, com essa mania de fotos digitais, acho que estamos perdendo o hábito dos álbuns . Tanto pela proliferação do número de fotos tiradas por evento (pois não tomamos mais o mesmo cuidado do que antes, quando usávamos filmes), como também pela preguiça de separar, gravar um CD ou pendrive e levar os arquivos para imprimir em algum laboratório. O que, convenhamos, não é mais trabalhoso do que levar os filmes. Mas como não há mais o elemento surpresa de ver as fotos prontas somente após a revelação, a motivação é menor.

O estopim para resolver fazer um álbum veio de uma pergunta do meu marido - que ele provavelmente não imaginou que teria qualquer consequência prática. Como quase todos os dias tenho me divertido fotografando o bebê, ele perguntou se já tinha feito o backup das fotos, tipo assim, vai que elas se perdem, etc, etc, etc...

Bom, como a maioria das pessoas, não faço backup com a frequência que seria necessária. Por outro lado, sou meio analógica no que se refere a cópias de segurança. Imprimo tudo o que é importante - desde comprovantes de pagamentos feitos online, até emails com informações interessantes, vouchers para uso futuro, etc. 

Ou seja, resolvi então imprimir as fotos e fazer o tal álbum há tanto tempo adiado. Um resumo épico dos últimos 3 anos em 100 fotos!!!

Foi um ótimo exercício - recomendo a quem tenha tempo disponível e paciência para tanto. 

Uma delícia reviver cada momento e difícil escolher as fotos mais representativas, dentre as centenas (ou seriam milhares?) disponíveis.  Impossível não se emocionar em várias situações.

No final, a sensação de que a vida seguiu exatamente o curso que eu queria nestes 3 anos. E que hoje estou exatamente onde queria estar. E que os meus motivos de orgulho na vida mudaram radicalmente, para melhor.

É hora de começar a sonhar com as fotos que quero ver no próximo álbum.



sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Mamar, filosofar, sorrir



 Estou demorando mais do que o costume para atualizar os posts do blog, eu sei.  

 Efeito da nova rotina, que a cada 3 horas recomeça, na seqüência mamada – fralda – tranqüilizar (esta aumentando mais ultimamente) e dormir (esta diminuiu durante o dia e vai muito bem à noite – Graças a Deus!).

 Às vezes, crio posts inteiros na minha mente, durante a etapa das mamadas. É praticamente uma hora inteira de interação total com esta nova pessoa na minha vida. Seis vezes por dia, ao menos. O que significa um tempo bem razoável para filosofar e pensar na vida. Daí a passar para o computador... é outra coisa. Conseguir 15 minutos inteiros, em frente ao monitor, às vezes é um pequeno luxo quase impossível (e que tem de ser bem aproveitado antes que o ciclo reinicie ou seja interrompido por um choro fora da sequência!).

 Também aproveito a amamentação para ler um livro bem interessante, que me foi recomendado pelo pai de uma grande amiga durante a gravidez. É um tratado de psicologia sobre o primeiro ano de vida. Muito bom e relativamente acessível à gente leiga, como eu. Está me ajudando ainda mais a entender como se estabelece a personalidade do pequeno.

 Num dos últimos capítulos que li, a seguinte frase  

... o aparecimento da reação de sorriso dá início às relações sociais do homem. É protótipo e premissa de todas as relações sociais subseqüentes.

 Achei o máximo. O sorriso é a ferramenta social por excelência! E é através dele que nos introduzimos às relações com outras pessoas neste mundo, cativando-as mesmo sem saber.

Meu bebê deu seus primeiros sorrisos há mais ou menos 3 semanas, logo após o final do primeiro mês. Naturalmente a babação está imensa... a sensação é como na canção do Gil “há de surgir uma estrela no céu cada vez que você sorri”.

E as pessoas aprendem a usar o sorriso para estabelecer (mesmo que falsamente) uma relação com os outros. Nessas reflexões durante as mamadas lembrei de duas situações nostálgicas a este respeito, típicas de quem passou a infância-adolescência entre os anos 70-80.

Uma veio de uma entrevista da Cyndi Lauper, que foi minha ídola teen. Ela usava um termo para descrever o sorriso amarelo que as celebridades dão – o tal Hollywood Smile. Uso este termo até hoje para descrever aquele sorriso que é quase uma careta de tão falso.

A outra veio de ainda mais tempo atrás. A frase indefectível de todos os cadernos de confidências (*)... vai em letras cor-de-rosa lantejouladas, então!

Sorria, mesmo que seja um sorriso triste! Pois é melhor um sorriso triste do que a tristeza de não saber sorrir.... (aaaahhhh!!!!)

O gosto da frase é altamente duvidoso - mas o conteúdo é revelador. Aprendemos desde nossa chegada ao mundo o valor de um sorriso para nossa sobrevivência.

(*) caderno de confidências – esta vale um post por si só... Resumindo, era um caderno cheio de perguntas, que a pessoa respondia uma por página. Sempre tinha uma questão do tipo “Diga uma frase ou frase predileta”...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O Horror


Ultimamente, ao encontrarmos alguém conhecido, temos começado a conversa comentando a última notícia trágica, geralmente envolvendo crianças ou adolescentes.

Foram semanas consecutivas com diversas notícias, desde o malfadado caso Eloá até os recentes acontecimentos - coincidentemente todos no eixo PR-SC, envolvendo assassinatos e abusos sexuais de menores de idade.
Parece impensável tentar entender o que se passa na cabeça destes maníacos. Por outro lado, é inevitável o estado de choque que se encontra a sociedade. Foi-se o tempo em que brincávamos despreocupadamente, por horas a fio, nas ruas do bairro. Ou ainda, passeávamos pelo centro e tomávamos o ônibus, praticamente com a mesma idade da menina que foi encontrada dentro de uma mala. Não faz tanto tempo assim, apenas pouco mais de um par de décadas!

Penso, porém, que mesmo em choque, ainda não parece ser suficiente a dose para nos retirar desta letargia, que faz com que nada realmente significativo seja feito para mudar a situação. Recentemente tivemos aqui em Curitiba eleições bastante aborrecidas, sem que houvesse um real debate sobre os problemas da sociedade. Não acredito que nenhum dos candidatos tivesse reais preocupações com o que estamos vivendo. Tivéssemos por aqui um Giuliani (descontando os oportunismos do 11 de setembro), talvez pudéssemos sonhar com uma revolução semelhante à de Nova York, com a política da "Tolerância Zero".

Estamos todos cansados. Meu pai sempre diz que a única saída é a união da sociedade, pois de outra forma vamos ficar à mercê do crime - este sim, cada vez mais organizado. O problema é que ficamos cada vez mais ilhados, fechados no apartamento, no condomínio, no carro blindado. Mal e mal nos cumprimentamos no elevador - que dirá conversar para resolver problemas, que podem ser coletivos afinal.

Tenho medo. Saudades do tempo em que lia Dalton Trevisan e me divertia com as peripécias do Vampiro de Curitiba, cujas perversões poderíamos chamar de inocentes, perto do que temos visto em nossa cidade nos últimos tempos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Grandes mudanças, grandes expectativas


Estes últimos 60 dias foram marcantes para o mundo. E mudança é a palavra da hora.

Hoje, Obama é anunciado o novo presidente dos EUA. Confesso que torcia muito por isto, embora imagine que o desafio dele será imenso. O resultado foi arrasador, uma vitória esmagadora em que o recado foi claramente dado pelos americanos: "queremos mudança já!". A simples eleição dele já é um sinal muito forte, esperamos que as condições políticas reforcem o credenciamento que a população lhe deu e que realmente seja possível implementar as tais mudanças tão necessárias.

E entre outras coisas, um dos fatores que ajudaram a eleição de Obama foi certamente a crise econômica mundial, que ainda não vê solução próxima no curto prazo. Ainda que o peso da economia americana tenha diminuído sua representatividade sobre o total do mundo, ainda é a maior e esta eleição está intimamente ligada com o que se espera dos acontecimentos que ainda virão.  O mundo saiu de uma euforia consumista para um compasso de espera. Até a moda em Paris trouxe muito preto e cores escuras para o verão do hemisfério norte - sinal de que o humor está, sim, bastante diferente.

Enquanto isso, vivo um momento mais colorido e mágico que é a maternidade. Interessante passar por isto num papel de expectadora, sem vivenciar o dia-a-dia das corporações. Pela primeira vez na minha vida, aliás, o que causa ainda um certo estranhamento.

As mudanças para mim também são muitas, mas hoje tive uma evidência muito concreta de que "alguma coisa acontece no meu coração".

Quando o bebê nasceu, foram muitos os medos. De não ser uma mãe perfeita, de não conseguir dar conta do recado, de não saber como voltar a lidar com as coisas que fazia antes, enfim... Também havia a questão de se acostumar com uma pessoa nova. A relação que era a dois, passava a ser dominada por um terceiro. Tem um momento que pensei estar enlouquecendo, mas tudo passa. E agora a vida começa a se ajeitar num novo ritmo, mais cadenciado, porém sem a complexidade toda que enxergava no início. Dizem que uma mudança pessoal leva cerca de 45 dias para ser absorvida pelo indivíduo. Agora, que começo a chegar perto deste prazo, sinto que posso dizer que é verdade.

E o amor, que não se sabia se seria suficiente... este se expandiu. Senti isto claramente hoje, ao levar meu bebê para tomar suas vacinas. Choramos juntos ao sentir a picada das agulhas, uma no bracinho e outra na perninha. Doeu muito ver a expressão de dor no rosto do meu filhinho... Claro que é importante que ele esteja protegido contra as doenças, mas o desejo de proteger é muito forte. Mais forte do que qualquer coisa que jamais tenha sentido antes.

Mudanças acontecem em várias direções e quase nunca estamos preparados totalmente para recebê-las. Tenho grandes expectativas sobre estas 3 situações - que a Bolsa volte a mostrar bons sinais no futuro, que Obama seja o presidente que irá preparar os EUA e influenciar o mundo para uma nova era e que este filho seja o nosso companheiro para uma vida ainda mais plena e cheia de felicidades.