domingo, 3 de agosto de 2008

Why so serious?



Esta semana fomos assistir o novo filme do Batman (Cavaleiro das Trevas). Filmão!

Já fui com a expectativa alta, devido a vários comentários bem positivos de amigos e parentes. Mas acho que ninguém está totalmente preparado para o novo Coringa, vivido pelo Heath Ledger, até que o assiste bem de perto.

Gente, tenho que confessar que me impressionei muito. Se antes achava que essas historinhas de que o cara se matou por causa do personagem eram parte da campanha de marketing do filme, hoje tenho algumas dúvidas. Pra quem assistiu o cara nos filmes anteriores, como a comédia adolescente "10 coisas que odeio em vc", "o Patriota" e mesmo o drama "Brokeback Mountain"... nada parecia anunciar o que ele faria neste filme. O cara rouba totalmente a cena, é uma força da natureza atuando, praticamente um tsunami cênico. Das duas uma, ou ele entrou muito fundo no papel - e não conseguiu sair nunca mais - ou a história do suicídio tem algum fundamento.

Aliás, o título deste post é a frase mais famosa do filme, que o Coringa usa antes de contar uma das suas versões sobre as suas cicatrizes que rasgam a boca dos dois lados. Jack Nicholson foi totalmente ofuscado por esta nova versão!!!

A parte da atuação do Heath, o roteiro também é muito bom, com vários momentos interessantes de reflexão. Tem uma conversa do Batman com o Comissário Gordon, no final, onde eles filosofam sobre a necessidade que temos do herói em nossa sociedade. E o herói deve ser alguém quase imaculado, razão pela qual deve existir também a figura do anti-herói, que é aquele que vai fazer o "serviço sujo", indispensável para a manutenção da aura do herói. Batman se coloca como o anti-herói, alguém que nem sempre está a favor da lei, mas que tem sua função dentro de um sistema. Ecos do 11 de setembro em uma sociedade aterrorizada?

Ah, na próxima encarnação quero ser o Morgan Freeman! O cara mais cool do mundo! Toda vez que ele aparece num filme (mesmo numa ponta, como é nesta série), o cara muda toda a atmosfera. E parece que vai ser a última participação dele nos Batmans, pois o personagem pediu demissão da Wayne Enterprises... Pena. Adoro como ele destrói qualquer argumentação agressiva com um olhar fixo e aquela risadinha sarcástica...


sábado, 26 de julho de 2008

Orkut: To be or not to be (at)?




Esta semana, minha irmã decidiu sair do Orkut.


Os motivos dela não vou comentar, mas vou refletir sobre a real importância deste fenômeno terceiro-mundista das redes sociais. Sim, porque nos países desenvolvidos, o povo usa Facebook, Myspace e outros. Nada de Orkut, pois neste dominam os brazucas, com seu incompreensível idioma. Os indianos, ao menos, tentam escrever em inglês.


Aí resolvi refletir sobre a real importância de se estar no Orkut.


Há uns dois anos atrás, quando a febre estava no auge, parecia uma coisa meio alienígena não estar lá. Confesso que aderi meio tardiamente, mais pela curiosidade pelos convites recebidos de amigos do que por vontade própria.


No começo, um mundo novo de contatos perdidos ao longo dos anos parece se abrir, subitamente. Depois, são as comunidades... uma forma aparentemente despretensiosa de se auto-definir, deixando claras ao mundo suas preferências (reais ou voltadas para a exibição a terceiros).


No auge do meu entusiasmo, cheguei até a montar uma comunidade, hoje meio desprestigiada, até porque é mais interessante conversar pessoalmente com os membros, que se reúnem todas as semanas.


A mesma razão que explica o sucesso dos reality shows parece explicar também o Orkut. Ficar "fuçando" páginas e comunidades alheias virou esporte nacional. E nem mesmo o "bina" que revela os últimos visitantes diminuiu este apetite, já que é possível optar por desligá-lo ou - requinte dos orkuteiros mais perversos - assumir uma identidade falsa para vigiar o objeto de sua fixação digital, deixando nele(a) uma certa curiosidade sobre quem seria este indivíduo tão obstinado.


Não sei se é mais uma evidência que estou ficando velha, mas confesso que estou também ficando meio cansada desta história de Orkut. Sem contar a questão da segurança, que cada dia fica mais crítica. Comecei alterando o nome, depois diminuindo as informações do perfil e restringido o acesso a fotos e recados.


Hoje, resolvi fazer uma limpeza geral nas comunidades. Tinha umas 150, mandei 100 para a lixeira. Chego à conclusão que esta história de adicionar milhões de títulos "engraçadinhos" e supostas confissões de "amo isso" ou "odeio aquilo" são expressões da nossa própria vaidade, um pedantismo para que o mundo nos julgue dessa ou de outra forma. Sem contar aquelas informações íntimas, que deveríamos guardar para nós mesmos.


Enfim, acho que ainda não cheguei a um estágio de "zero futilidade" (que também é um extremo desnecessário), mas creio que deixei a página mais próxima da minha representação pessoal neste momento. E também mais funcional, pois na maioria são comunidades que realmente acesso.


O próximo passo é fazer uma limpeza na lista de amigos. Sem querer ofender ninguém, mas é bem estranho ter pessoas com quem sequer tivemos algum dia uma conversa, no mundo real, nesta lista.


domingo, 20 de julho de 2008

O Quiabo Veste Prada!


Estou rindo até agora... num final de semana que acabou meio interrompido por uma boa carga de trabalho acumulado, já havia perdido as esperanças.

Mas eis que me deparo com este site de uma agência de publicidade capixaba, a MP publicidade. Vida inteligente na internet já é um pouco difícil, a quantidade de gente esquisita ainda impera. Ainda mais na publicidade, onde ultimamente parece ser mais fácil seguir a linha "mais do mesmo' e também apelar para outros recursos, onde o produto acaba ficando meio perdido...

Coloco abaixo alguns bons exemplos do que significa falar de coisas simples (no caso, Hortaliças!) com muita verve e bom humor. Lembra muito aquelas piadinhas inocentes de elefante que contávamos na infância... tipo "Como esconder um elefante na plantação de morangos?" E a resposta (inacreditável) "Pintando suas unhas de vermelho!!!"' (hahahahah!!!!)

Parabéns aos redatores e criadores geniais da MP.



Segue o link, pra quem quiser conhecer o resto da campanha... http://www.mppublicidade.com.br/site/?target=campanha_visualiza&pid=38







segunda-feira, 14 de julho de 2008

O nível primitivo da Ursa e outras Reflexões sobre a Maternidade


Recebi este texto hoje por email da Ale, amiga querida e mãe da Rafinha. Achei lindo, difícil ver sentimentos tão profundos traduzidos de forma tão simples e direta. Então transcrevi aqui para dar chance de todo mundo ler. Beijos.

Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em 'começar uma família'.

'Nós estamos fazendo uma pesquisa', ela diz, meio de brincadeira. 'Você acha que eu deveria ter um bebê?'

'Vai mudar a sua vida,' eu digo, cuidadosamente, mantendo meu tom neutro.

'Eu sei,' ela diz, 'nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas.. .'

Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.

Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar 'E se tivesse sido o MEU filho?' Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da da ursa que protege seu filhote. Que um grito urgente de 'Mãe!' fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.

Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê.. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.

Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina. Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino no McDonald's se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.

Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.

Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma. Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho. Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida -- não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.

Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra.

O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar talco num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.

Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados.

Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.

Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

'Você jamais se arrependerá', digo finalmente. Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados. Este presente abençoado de Deus... que é ser Mãe.'

Autor Desconhecido

domingo, 6 de julho de 2008

Coisas de domingo


Domingo ótimo, com almoço delicioso em casa de amigos muito queridos (e prendados... comida marroquina de primeira... hummm). Estavam também uma das minhas irmãs, com o marido e a filhota, cada vez mais sapeca. Na volta, a utilidade de estar grávida e ser motorista da turma, em tempos de Lei Seca!

Chegando em casa, aproveitamos para liberar energia... de um lado eu, arrumando as coisas no quartinho do bebê, que estavam todas empilhadas em malas e sacolas. Do outro, meu marido, que no dia anterior havia se munido de vários apetrechos para finalmente organizar a bagunça de fios e tomadas que havia dominado nossa bancada do escritório. Ficou praticamente wireless, uma beleza!

Pra testar a conexão, agora devidamente organizada em uma área sob a mesa, acessamos o YouTube. Ele virou um fã da turma da Terça Insana e achou um vídeo impagável do ótimo Marcelo Mansfield, no papel do "Seu Merda" - o marido acomodado e conformado, perfeito no papel. Ainda mais acompanhado pela Esposa, interpretada pela "dona" do Terça, a Grace Giannoukas.

Demos boas risadas juntos.... Este personagem não tem nada a ver com o meu companheiro, mas o tipo de humor que ele representa, tem tudo a ver conosco.

Segue o link abaixo, pra que todos possam rir com a gente!

terça-feira, 24 de junho de 2008

Eu, em versão ampliada (e dupla

Frio em Curitiba.

Acabei não almoçando direito hoje (crime da mala) e fiquei só nos lanchinhos de grávida. Resultado = não aguentei a fome ao sair do trabalho e tive que parar no Subway. Escolhi o sanduba mais light (lógico), combinando com o suco igual. Mas não bastou, a carga pesada do dia de hoje exigia algo mais "hard"... e detonei o resto do ovo de páscoa que estava no armário da cozinha.

Tá certo, um ovo pequeno, que já tinha sido comido mais da metade pelo meu digníssimo marido. Mas depois não reclame dos 3 kg a mais na última medição da obstetra. Ódio!!! Mas quem consegue passar a sopinhas e chazinhos num clima desses?

O negócio é tomar vergonha na cara e arrumar um jeito de gastar mais calorias. Já quase consegui, estava fazendo natação direitinho antes das férias. Mas aí veio uma gripe fulminante, que me deixou de cama e a coisa desanimou. Já fiz uma aula experimental de Ioga, parece ser um bom caminho pra ajudar as dores nas costas. Mas lá no fundo, tenho dúvidas se isto realmente é exercício de verdade... e haja respiração!

Não posso reclamar do incentivo que tenho em casa e também dos amigos / família. Todo mundo dando o maior reforço positivo, que estou ótima, etc, etc, etc... Mas a balança já registrou quase 10 kg desde o início da gravidez, este é o fato já consumado. Somando o ovo de páscoa... bom, melhor deixar pra lá.

Prometi a mim mesma que não vou me estressar com isto mais do que o necessário. Mas reconheço que é difícil. Acho que esta etapa é um exercício de auto-estima, um convite ao desprendimento sobre os nossos valores mais egoístas... para que você finalmente entenda que, ao final de tudo, deixará de ser "a Fulana" e passará a ser "a Mãe do Fulaninho(a)".

Pelo menos isso foi o que me disse, semana passada, uma cliente da empresa em que eu trabalho.

Madonna já disse diferente. Quando estava grávida da Lourdes, afirmou que "a gravidez é a piada de Deus com as mulheres".

Acho que estou no meio das duas posições. Sinceramente, consigo acreditar que dá pra preservar a individualidade, mas consigo entender que possa existir algo como um teste divino sobre nossa capacidade de ser maior do que as nossas medidas (literalmente!).

Moral da História - Viva a Cinta!!! Já escolhi uma para levar na mala da maternidade!

Ou como diria Alanis...

That I will be good... Even if I gain 10 pounds... (ou o dobro disso!)

domingo, 8 de junho de 2008

Coisas que aprendi nas Folhas desta semana




Domingo preguiçoso, decidimos ficar em casa mesmo. Desculpa perfeita para não usar maquiagem, usar aquelas roupas suuuper confortáveis e comer na hora e do jeito que der vontade.


Na TV nunca rola nada de interessante (nem na TV a cabo, já escrevi um post sobre isto há algum tempo). Então, nada melhor do que ler as "Folhas" empilhadas durante a semana. Sim, porque acabo lendo as manchetes e a ótima recém criada seção Corrida, que resume o mais interessante do dia.
E aprendi várias coisas, úteis e inúteis!...
Uma delas veio da folha de sábado, aquele caderninho superfútil (e por isso mesmo delicioso) chamado Vitrine. Fiquei chocada! A Moranguinho, ícone da minha infância, acaba de fazer lipo e chapinha! Parece que ser fofinha não é mais o aspiracional das garotinhas do século XXI...

Já na edição de hoje, veio uma notícia bem interessante. Um dos meus colunistas favoritos, Contardo Calligaris, vai lançar um livro com algumas das melhores colunas. Vou comprar, claro. Sou fã do cara, acho impressionante a facilidade que ele tem de traduzir as coisas, desde as mais complexas até as mais cotidianas.

Um exemplo, veja a diferenciação brilhante que ele faz da auto estima masculina e feminina (esta coluna é da semana passada, mas acho um exemplo perfeito). Eu li isso e pensei "É claro, sempre suspeitei disso..." Mas jamais conseguiria colocar em palavras tão diretas como ele faz.

"(...) para os homens, em geral, é mais fácil lidar com uma negativa. Raramente a recusa os leva a uma dúvida radical sobre eles mesmos. Muito antes de perguntar-se "Será que não sou aquela maravilha toda que minha mãe e minhas tias diziam que eu era (e, se não disseram, deveriam ter dito)?", os homens conseguem inculpar detalhes contingentes ("Hoje, excepcionalmente, o desodorante me largou") e, sobretudo, acusam a própria mulher que os recusou: se ela não quis, é porque é "uma puta". Paradoxal, não é?

Pois é, mas o paradoxo é revelador. Para o homem, como era de esperar, a única que não seja "puta" é a mãe, que, supostamente, gostava e gosta só dele.

As outras, que não se extasiam diante de seus vagidos, são "putas" porque podem lhe preferir terceiros quaisquer. Por sorte (de todos nós), essa "segurança" narcisista do homem tem uma pequena falha: a própria mãe, por mais que se extasiasse com ele, fechava-se no quarto com o pai, de vez em quando (para o menino, aliás, não é um bom negócio que a mãe se esqueça de ser mulher).

Seja como for, o narcisismo masculino não se deixa abalar por uma recusa. A convicção de ter sido objeto exclusivo e insubstituível do amor materno é um recurso (quase) seguro: "Pouco importa que as outras não gostem de mim, pois a única que importa gostava e gosta".

Para a maioria das mulheres, acontece o contrário. Uma recusa e uma negativa valem como uma espécie de confirmação do que era suspeitado por elas desde sempre: "Não agrado e nunca fui verdadeiramente amada".
Lógico. Pra quem já viu um jogo de futebol, em que os caras se xingam e trocam pontapés, pra depois rachar o bico juntos comentando os melhores momentos, dá pra sacar que homens e mulheres tem constroem sua auto-imagem sobre referenciais muito distintos... sim, temos várias coisas para aprender com eles também.