domingo, 2 de março de 2008

Metamorfose ambulante



Este é um momento especial em minha vida.


Interessante que mesmo antes do teste já sabia a resposta. Coisa maravilhosa é a intuição, algo que não valorizamos e até mesmo enfraquecemos dentro do contexto racionalizante e reducionista da vida contemporânea.


Mais impressionante é o alargamento das perspectivas. Num primeiro momento assusta um pouco, pois parece que a vida em volta perde um pouco do brilho e do interesse. E não há como ser diferente. Afinal, como me disse uma amiga querida com quem almocei nesta semana, trata-se de um verdadeiro milagre. E, afinal, não é todo dia que podemos nos sentir participantes de algo tão grandioso.


Além disso, há a questão das mudanças físicas, emocionais e até intelectuais. De um momento para outro, senti que o meu QI perdeu pelo menos 30% da potência, o que não é uma sensação confortável - convenhamos! Desde a tomada de decisão diária e até mesmo escrever um texto neste Blog querido... tudo ficou um pouco mais penoso e exigindo maior poder de concentração.


Mas existem vantagens... Vou falar de uma só, que faz o contraponto perfeito ao parágrafo acima. Trata-se da sensação quase permanente de uma calma e uma serenidade infinitas, praticamente o nirvana atingido, uma relativização completa dos pequenos aborrecimentos.


"Quase" permanente, infelizmente... porque também existem oscilações que fazem as vezes de uma TPM extemporânea... Graças a Deus existem sites e livros espertíssimos para nos dar conselhos nestas horas, bem como irmãs e amigas queridas que têm a paciência dos anjos em nos ouvir e acolher.


Seguem abaixo algumas opções que estão virando minhas favoritas das últimas semanas





e, é claro... mothern.blogspot.com

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Sobre Íncubos de Carne e Osso



"Na lenda medieval ocidental, um Íncubo (do latim incubus, de incubare) é um demônio em forma masculina, que se encontra com mulheres dormindo, a fim de ter uma relação sexual com elas. O Incubus drena a energia da mulher para se alimentar e, na maioria das vezes, deixa a vítima morta ou então viva, mas em condições muito frágeis. A versão feminina deste demônio é chamada de Súcubo."



Me impressiona como a mitologia (e a obra de Shakespeare) são infalíveis para explicar a criatura humana. Lá na idade média já haviam definido um termo para estas pessoas horríveis, que se alimentam da energia alheia para benefício próprio. São seres egoístas, mesquinhos, que do fundo de sua falta de auto-estima, definem que o mundo lhes deve algo que nem eles mesmos sabem bem o que é.


Mas sabem bem como incubar seu veneno, confundindo, manipulando, distorcendo a verdade dos fatos... Tornam as pessoas mais vivas e cheias de luz em "velas ao vento". Não há problema tão ruim que não possa ficar um pouco pior com uma dose de culpa, e um verdadeiro Íncubo de carne e osso vai fazer com que sua vítima acredite ser a única responsável por todos os males que afligem a humanidade...


Outra noite, um Íncubo atrapalhou o sono de duas das pessoas que mais amo neste mundo.


Fui me informar. A lenda diz que o Íncubo, ao ser contrariado por um exorcista ou quem quer que queira afastá-lo de sua vítima, torna-se agressivo e ameaçador, em alguns casos tentando isolar a pessoa do mundo exterior, para reforçar a sua influência maligna. Hum, confere....


Não por acaso, talvez, a palavra latina incubus também seja utilizada para designar um fardo, um peso. Pode-se rezar pela alma do Íncubo, para que ele encontre seu rumo na vida e deixe a pobre vítima em paz, mas isto por si só não parece bastar.


O melhor remédio vem da própria decisão da pessoa por ele atingida em por um fim radical e drástico na história, drenando qualquer possibilidade de alimentação do íncubo da sua energia, que afinal é a razão de sua existência.


Vade retro, então!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Um Feriado Perfeito



As minhas lembranças mais antigas do carnaval nunca foram muito alegres.

Eu me considero uma pessoa super alto astral, gosto de dançar e comemorar. Mas esse negócio de folia com dia e hora certas nunca fizeram a minha cabeça.

Havia um tempo em que eu e minha irmã éramos fantasiadas em dupla, por iniciativa (ou capricho) de nossa mãe. Ciganinho e ciganinha, melindrosas e tudo mais. Ou mais tarde, já adolescente, com uma escolha própria de fantasia (que na verdade não parecia com nada, era uma mistura de ajudante de mágico e a tal melindrosa da infância). Era o tempo em que os bailes de Curitiba aconteciam nos clubes, com todos girando no salão, ao som das indefectíveis marchinhas (nada de axé).

A sensação era sempre a mesma, uma vontade de sair correndo tão logo colocava o pé no salão. O sorriso forçado, o estranhamento com algum garoto que grudava a mão na cintura e pedia para dançar (bem, hoje parece que o negócio é beijar direto, sem muitas delongas...).

Definitivamente, não sou uma pessoa carnavalesca. Bem feito, nasci na cidade certa.

As experiências de criança reforçaram o provérbio que diz "uma vez em Roma, seja como os
romanos". Não dá pra forçar a amizade e transformar uma curitibana legítima em passista da Sapucaí em apenas uma geração (apesar da boa-vontade de minha mãe neste sentido).

O bom é que a gente cresce e se torna dono do próprio nariz. Este carnaval está sendo perfeito. A cidade vazia, sem correria no supermercado. Acordar tarde, fazer churrasquinho, almoçar com a família, ver filmes até cansar, fazer cookies quentinhos (e tomar chá com bolachinhas)... minha idéia de vidinha bem gostosa.

Até me passou uma idéia maligna de passar no escritório, quem sabe deixar o trabalho em dia?... Ainda bem que o espírito do Zé Pereira (*) baixou rapidinho e manteve a inércia gostosa desta segunda feira de Carnaval.


(*) Para quem não entendeu nada, segue o link

domingo, 20 de janeiro de 2008

"Apenas" semântica?...


"If you don´t say what you mean, you can not mean what you say"


Achei bonita a frase, ainda mais dita com delicioso sotaque britânico pelo preceptor do último imperador chinês Pu Yi, no famoso filme de Bernardo Bertolucci. Sábias palavras.


Uma vez, tive um chefe que, durante uma conversa de feedback, questionou uma frase minha, mudando um verbo por uma palavra que parecia ter um significado semelhante. Eu achei estranho e disse a ele: "que diferença faz? É apenas semântica..."


Ele riu e disse: "Pois é, mas a linguagem faz toda a diferença para entender o que realmente queremos dizer". Um pouco como a frase do professor inglês - to mean revela a intenção de quem fala, portanto os significados embutidos nas palavras podem mudar conforme a forma como estão colocadas em uma frase.


Pode parecer assustador - e é, às vezes, principalmente neste mundo novo de internet, onde muita gente escreve sem cuidado, de forma cifrada. Ou ainda, faltando a pontuação que contextualiza.


Tomo muito cuidado quando escrevo qualquer coisa, desde um email de trabalho, uma justificativa para multa no Detran e, claro, os posts no Chá com Bolachinhas! Tudo a ver com a questão do significado - quero me tornar compreensível para quem lê e, acima de tudo, fiel aos meus pensamentos. É trabalho artesanal, não tem como ser diferente.


Faço parte de uma comunidade no Orkut chamada "Good Writing is Sexy". Pessoalmente, me impressiona muito a habilidade de uma pessoa em buscar a melhor forma para colocar pensamentos e palavras por escrito. Como o princípio básico para saber escrever é gostar de ler, dá para concluir quase sem margem de erro que este tipo de gente sempre tem algo interessante para dizer.


Fui conquistada "por escrito" por um homem que um dia seria meu marido, madrugadas adentro no MSN. Saber escrever bem pode ser uma arte, mas pode também ser uma vantagem competitiva (e sexy!) em momentos inesperados...

domingo, 13 de janeiro de 2008

Sobre epidemias antigas em um mundo moderno


Passei a semana lendo e ouvindo coisas sobre Febre Amarela. Acabo de somar o Mato Grosso do Sul à minha área de trabalho - e duas amigas queridas já me perguntaram se a vacina está em dia...


Bem, tomei a bendita há cerca de 6 ou 7 anos, na primeira viagem ao Peru - lembro-me que doeu pra burro e me deixou enjoada por uns 2 dias!... Leio na Folha de hoje que deu fila em vários aeroportos do sudeste e que turistas argentinos em pânico também acorreram aos postos da Anvisa.


Uia! Meda! Creda!... Não bastassem as pragas modernas, tipo Aids e todas as formas de depressão, agora estamos voltando a ser um cortiço infectado por zoonoses?


Converso com meu pai, ele que já trabalhou em órgãos públicos ligados à saúde. E ele confirma minhas suspeitas: além do sucateamento da infra-estrutura, nosso Grande Molusco está saqueando também a saúde. Todo o esforço construído em anos para matar mosquitos e tornar nosso país mais evoluído neste quesito está regredindo (provavelmente virado em bolsas-família ou pior, mensalões, valeriodutos ou dinheiro para as rinhas de galo do Duda Mendonça).


Enfim, resta esperar aonde iremos parar depois dessa... Já estão falando em gente morrendo de "doença do Pombo" (ou Cryptococose) no norte do Paraná e ninguém está mexendo um dedo para tomar atitudes. A filha de uma das vítimas, que é médica e, portanto, deve saber do que está falando, alerta para o perigo de uma epidemia e também revela o descaso das autoridades (inclusive do burraldo Ibama, que mais uma vez coloca o carro frente aos bois).


Talvez eles tenham razão: melhor poupar as pombinhas "da paz", que como ratos infestam a maioria das cidades, do que evitar a morte de milhares de seres humanos...


E não há de ser nada, afinal: o ministro da saúde vai tranquilizar todo mundo em seu pronunciamento hoje à noite. Ah, bom.


Para quem quiser saber mais, seguem alguns links:


Sobre a Doença do Pombo:



Sobre a Febre Amarela:



domingo, 6 de janeiro de 2008

Resoluções de Ano Novo


Esta é a semana em que o Ano realmente começa, depois das semanas preguiçosas das festas e a ressaca dos primeiros dias de trabalho logo após a virada...
Pois começo o primeiro post de 2008 refletindo sobre o que desejo para este ano. Vai ser difícil superar 2007 no quesito pessoal, por isso começo a escolher os focos da minha atenção neste ano onde não evoluí suficientemente no ano anterior - saúde física, estudos, visão de mundo e futuro.
Os dois primeiros são quantificáveis e mensuráveis, mas o terceiro traz um componente grande de introspecção - que exige uma energia considerável para romper a inércia que nos aprisiona ao status quo e à rotina.
Tem uma frase do Dalai Lama que diz "às vezes, não conseguir o que você mais gostaria em um determinado momento, pode ser a maior sorte do mundo". E tomar decisões sobre algo que precisamos mudar pode ser o tipo de coisa que exige paciência tibetana, mas que definitivamente vale a pena.
E, por isso mesmo, não estar mais com "aquela pessoa", perder a chance de morar em "algum lugar" ou sentir-se diferente em relação à opinião de alguém sobre "aquele trabalho", podem ser a faísca necessária para acender a alma em direção ao que realmente importa.
Para firmar o pensamento em uma nova direção, temos que optar por mudar o caminho em primeiro lugar. Parece lógico, mas é incrível como resistimos a fazer a curva, como se esperássemos que o mesmo percurso nos levasse magicamente a um novo destino.
Acredito que o melhor sempre está por vir, sou otimista. Apesar da natureza impaciente, que me atormenta em querer ver logo os resultados, dar o presente antes da data, ler o livro pelo final e começar a leitura do jornal pela seção de Cultura e quadrinhos...
Por isso, desejo em 2008 sobretudo aprender a ser mais paciente, fiel a meus valores e assertiva. E, claro, todo o mais: sonhos realizados, paz de espírito e menos gente egoísta no mundo (será pedir demais?)

domingo, 9 de dezembro de 2007

Reflexões em Coral Gables

Hoje descobri que não importa...

... estar em uma cidade de primeiro mundo (embora no limite do terceiro);
... hospedada num super 5 estrelas chiquérrimo, cama de pena de ganso, 6 travesseiros foférrimos, etc, etc, etc...
... visitar um shopping chique e ter a possibilidade de experimentar os Zegnas, Armanis, Burberrys e Carolinas Herreras da vida;
... almoçar num bistrô elegante, com gente idem... mas um pão muito esquisito como entrada. A fome faz milagres...
... voltar caminhando despreocupadamente num domingo de sol à tarde, tomando sorvete, enquanto os carros buzinam (será que é tão estranho assim uma mulher passear sozinha na rua em Miami?)

O que realmente importa é com quem estamos. Trocaria facilmente o dia inteiro de hoje por um final de noite na cozinha de casa, comendo o melhor omelete do mundo. E depois, ficar juntinho no sofá da sala.

Acho que estou ficando velha. Ou finalmente entendendo o que realmente importa na vida.

PS - acabo de decidir mais um indicador para a qualidade de vida e de gente dos lugares que já visitei. Um que nunca falha são os PÃES (por isso a França e a Itália são lugares fantásticos). Outro que verifiquei hoje, é o costume de caminhar. Lugares onde as pessoas não têm o hábito de caminhar, tendem a ser menos interessantes...